Mercado Municipal Joinville

O Mercado Municipal é muito forte na venda de peixes e frutos do mar. Ele possui 3 restaurantes que funcionam diariamente.
As mesas dos restaurantes se espalham sob as árvores na praça do mercado e aos sábados à tarde sempre tem música ao vivo. Diversas famílias se reúnem para tomar um chope ao ar livre.
Av. Dr. Paulo Medeiros, S/N - Centro, Joinville - SC
Seg - Sex das 7h às 18h, sábado até 13h
O Mercado Municipal Joinville está localizado ao lado do Rio Cachoeira, a 5 minutos de caminhada do Museu da Imigração e na mesma avenida do Centreventos Cau Hansen. Essa região era o antigo porto da cidade e por ali chegaram os primeiros imigrantes de barco para colonizar essas terras, além de estabelecerem um movimentado comércio marítimo com São Francisco do Sul.
O Mercado Municipal Joinville é muito forte na venda de peixes e frutos do mar. Ele abriga 3 restaurantes que funcionam diariamente. Não deixe de tomar um chope artesanal e experimentar o pastel de siri.
As mesas dos restaurantes se espalham sob as árvores na praça do mercado e aos sábados à tarde sempre tem música ao vivo. Diversas famílias se reúnem para tomar um chope ao ar livre.
Próximo ao Mercado Municipal está o Moinho Joinville, um prédio tombado pelo patrimônio histórico, onde antigamente funcionava um moinho de trigo. A FIESC comprou o prédio, restaurou a fachada do Moinho e instalou uma unidade da Escola de Referência do SESI
História do Mercado Municipal Joinville
A construção de um local específico para a comercialização dos produtos agrícolas e do pescado já era uma demanda antiga em Joinville no início do século 20. Desde os primeiros tempos da Colônia Dona Francisca se falava na construção de um mercado público para atender a este fim. Mas onde? Embora hoje a proximidade com o rio Cachoeira pareça uma escolha natural, na época a questão foi alvo de muita polêmica.
A definição só ocorreria em 1906, quando ficou estabelecido que ele seria erguido junto ao novo cais municipal, às margens do Cachoeira. Com isso, naquele mesmo ano surgia o Mercado Público de Joinville. A entrega oficial da obra, porém, ficou para 1907 e a regulamentação das atividades ainda demorou mais alguns anos. Hoje, passados 110 anos, a construção original não mais existe. Em seu lugar surgiu um novo prédio na década de 50 e o atual, nos anos 1980, praticamente no mesmo local.
A definição da área onde seria erguido o Mercado Público de Joinville já causava impasse desde o século 19. Havia a necessidade de construir um espaço que centralizasse a comercialização dos produtores locais. A questão era onde ele seria. A princípio a Sociedade Colonizadora de Hamburgo havia destinado para esse fim a área da praça Lauro Müller, na rua 9 de Março, onde atualmente fica a Biblioteca Pública. No relatório da Superintendência Municipal de 1898, porém, este terreno era cedido definitivamente para a recém-criada Sociedade de Embelezamento de Joinville para a instalação de um jardim público. Na justificativa, o superintendente Frederic Brüstlein explicava que a escolha daquele local não havia sido feliz, pois ele tinha largura insuficiente e o acesso não era possível por embarcações.
Ao apresentar a justificativa, Brüstlein já indicava uma alternativa de local. “Partindo da ideia que o mercado devia ser colocado no centro mesmo da cidade, não só da cidade de hoje, mas da que se pode prever para um futuro pouco remoto segundo a atual marcha de desenvolvimento da mesma, e considerando mais, que o lugar do mercado deve ser rodeado de ruas largas, que apresentem passagem franca e desembaraçada aos carros dos colonos que trouxerem os produtos de sua lavoura, deve permitir acesso imediato de canoas e botes – minha atenção dirigiu-se ao terreno situado à margem direita do rio Cachoeira entre o prolongamento da rua do Porto e a rua de Paris”, escreveu no relatório.
Era o começo de uma longa polêmica. A área que fica entre as atuais ruas Itajaí e Jerônimo Coelho, a partir da travessa Bachmann, pertencia a Brüstlein (que a havia trocado anos antes com Carlos Kumlehn, segundo consta no mesmo documento) e foi doada formalmente à municipalidade em 1899. Mas era sujeita a alagamentos desde aqueles tempos.
A Comissão de Obras Públicas emitiu parecer contrário ao local, argumentando que as despesas para torná-la viável seriam altas. “O terreno que o sr. Brüstlein ofereceu à municipalidade, e que mais tarde pode ser convertido em um pitoresco jardim, é atualmente um verdadeiro charco facilmente inundado pelas marés, aonde, para qualquer construção, faz-se necessário a abertura de novas ruas, enorme aterro, cais, assim como para aprofundar o rio em uma extensão de 200 metros para torná-lo navegável. Isto, porém, acarretaria extraordinário dispêndio de dinheiro, sem se falar que só a construção dos alicerces custaria a quantia orçada para todo o mercado, de 20 contos de réis”, segundo consta no livro “História de Jonville – Crônicas da Colônia Dona Francisca”, de Carlos Ficker.
Os prós e contras à construção do mercado naquele local eram explicitados nos jornais tanto por meio de seus editorialistas quanto pela participação dos leitores, em cartas. Em 1906, o Kolonie-Zeitung respondia ao Joinvillenser Zeitung (que era a favor da construção no terreno de Brüstlein), argumentando que a instalação do mercado naquela área não atenderia aos moradores de fora da “vila”. “Deveríamos construir o mercado no local do rio Bucarein (onde já havia projeto de porto) se quiséssemos uma obra “para o futuro”. E levando em consideração a ampliação da cidade para a direção sul”, escreveu.
No início de 1906, um abaixo-assinado chegou a ser realizado entre os moradores da cidade e entregue no conselho Municipal, solicitando que o mercado fosse erguido junto ao cais do rio Cachoeira – uma obra que era realizada há anos e foi entregue no final de 1905.
Em junho de 1906 começou a construção do Mercado Público de Joinville, junto ao novo cais do porto do rio Cachoeira. A obra ficou pronta ainda naquele ano, mas só foi entregue oficialmente no ano seguinte, já na gestão do novo superintendente, Oscar Schneider.

Prédio foi subutilizado por anos
A pesquisadora Brigitte Brandenburg explica que a discussão sobre o melhor local para o Mercado Municipal envolvia as pessoas que traziam seus produtos rurais para serem comercializados na Vila de Joinville. Ela conta que no século 19 os agricultores que moravam em locais onde já havia estradas, como Anaburgo ou Pirabeiraba, vinham de carroça e vendiam a produção a intermediários, ou seja, grandes comerciantes já estabelecidos, que os revendiam ou exportavam. Mas nessa época eles também paravam na altura da praça Lauro Müller. “Ali era um ponto de carroceiros”, afirma.
Já a região próxima do rio Cachoeira tinha uma grande concentração de pescadores. “O pescado era vendido no porto, no cais Conde d’Eu. Eles chegavam ali, onde existia a Cia Industrial e o movimento com a saída dos vapores”, explica ela. Para esse local vinham os moradores de regiões como o Saguaçu, Saí, Palmital e Garuva. Vinham em suas canoas pelo rio e traziam também outros produtos, como a farinha, por exemplo.

Brigitte destaca que essa população ribeirinha também atendia o comércio situado na antiga Untere Hafenstrasse (rua do Porto de Baixo), que depois recebeu o nome de rua Conselheiro Mafra, e é a atual rua Abdon Baptista. “Havia muitos comerciantes ali, que absorviam muito da produção trazida por esses ribeirinhos que moravam perto da baía da Babitonga e escoavam seus produtos pelo rio”, destaca.
O Mercado Público foi aberto em julho de 1907, mas, para a pesquisadora, nunca chegou a unir estes dois grupos e desde os primeiros tempos a venda de pescado foi predominante. “Os agricultores não levavam seus produtos para o mercado. Nem quando eu era criança… até hoje”, observa ela, que também é produtora rural.
A partir da entrega da obra, as críticas se voltaram para o regulamento do mercado. Uma relação de regras publicada pelo jornal Commércio de Joinville determinava os dias e horas em que os produtos deveria ser expostos e, principalmente, proibia a venda de inúmeros artigos pelas ruas da cidade. Tanto os produtores rurais quanto os pescadores se mobilizavam contra as regras iniciais estabelecidas pela superintendência e as discussões eram acompanhadas pela imprensa. “Os colonos não estão dispostos a se sujeitar ao que venha tirar os seus hábitos”, afirmava a Gazeta de Joinville ainda em 1907.
O certo é que o regulamento do Mercado Público demorou a ser acertado e durante anos o espaço foi subutilizado e não fez parte da rotina da população. Na edição de 2 de setembro de 1911, a Gazeta chamava a atenção para a questão: “destinado a um outro objetivo que não o de servir de domicílio às moscas, o mercado de nossa cidade vai finalmente entrar em atividade, preencher em definitivo o mister para que fora construído.(…) Atirado ao olvido pela administração que passou, não podia e nem devia continuar o Mercado, a menos que não quiséssemos passar na opinião sensata dos que nos visitam, de um povo despido dos mais rudimentos princípios de civilidade como um atestado vivo do nosso desleixo, do nosso atraso, enfim”. A administração a que o jornal se refere é a do superintendente Oscar A. Schneider, entre 1907 e 1910.
Em 1912, o Relatório da Superintendência da segunda gestão de Procópio Gomes de Oliveira explicava a situação: “Permanece ainda fechado à concorrência pública, em virtude da falta de um regulamento que tenha ficado de elaborar e que legalmente me autorize a forçar o vendedor a expor em banca seus produtos de oferta, caçando-lhe a permissão da venda ambulante através das ruas da cidade. Esse antigo hábito do pequeno comércio rural, que semanalmente invade as vias públicas, e apenas favorável a meia dúzia de intermediários, sacrifica sobremodo o grande número dos consumidores, notadamente à classe do operariado que, em maioria absoluta, compõem a nossa população urbana”, consta na prestação de contas da gestão municipal.
O documento destaca ainda a necessidade de resolver a questão. “A exposição obrigatória dos gêneros de consumo no recinto dos Mercados, trás consigo, como é de vulgar intuição, a benéfica concorrência de preço e a fácil seleção da compra de que lucram compradores e vendedores, além de indireto estímulo à melhoria dos produtos agrícolas, facilidade de colocação e oferta ao pequeno produtor, e expedita fiscalização e vigilância das substâncias alimentares quando os poderes públicos o julgarem necessário”.
Só em 1917, a situação foi equacionada, com a regulamentação das atividades. Começou a ser uma realidade o Mercado Público Municipal. Naturalmente, sendo, desde a sua construção, em 1906, até hoje, um mero “adorno de praça”, o funcionamento do Mercado Municipal não poderia começar com grande concorrência e na plenitude de suas funções, mas… começou….”, escreveu a Gazeta, sem poupar a crítica.













































